
"O Caminho para Meca" foi escrito em 1985, por ATHOL FUGARD, dramaturgo sul-africano, nascido em 1932. Considerado um dos dramaturgos mais importantes da língua inglesa na atualidade e inédito no Brasil, a peça conta a história de Helen Martins, uma sul africana que encontra sua forma de expressão por meio da escultura.
A personagem é inspirada em uma figura real, Helen Elizabeth Martins, autêntica outsider que produziu uma arte não convencional, nascida em 1897 e morta em 1976.
O texto traduzido por José Almino tem a direção de Yara de Novaes e no elenco Cleyde Yáconis, Lúcia Romano e Cacá Amaral. A iluminação é de Telma Fernandes e o cenário de André Cortez.
A história de Helen, mote de inspiração do autor, já é por si só apaixonante. Nascida e criada em uma pequena comunidade branca, Nieu Bethesda-África do Sul, no meio do deserto, Helen é uma mulher de costumes conservadores e culto obrigatório da fé protestante. Um dia, ao descobrir nunca ter amado o bom homem com quem foi casada, abandona a igreja dos domingos porque deixou de crer e, ao ficar viúva, encontra em suas mãos de escultora o caminho de sua liberdade pessoal e a felicidade de criar sua "Meca".
De acordo com a diretora Yara de Novaes, "Helen é a personagem ideal para que Fugard possa mostrar a resistência da sociedade perante o diferente, a eterna busca da confiança em si mesmo e nos demais, os erros dos dogmatismos religiosos e, sobretudo, tratando-se de um autor sul africano escrevendo em 1984, denunciar o apartheid como forma de convivência".
Helen recebe a visita da amiga Elsa (Lucia Romano, Prêmio Shell 2007 de melhor atriz por sua atuação em Vemvai - O Caminho dos Mortos), admiradora de suas obras, e também do pastor local (Cacá Amaral), que se preocupa com sua ausência na igreja e na pequena vila. Por meio desses encontros, discute-se a vida, a solidão, o talento, as dificuldades da idade, a amizade e a confiança das personagens.
Na opinião da diretora, "a peça é quase um rito de passagem realizado por todos os personagens, tanto o pastor (Cacá Amaral), protestante representante dessa comunidade, quanto Elza (Lúcia Romano), a estrangeira de fato naquela circunstância geográfica e histórica”.
Além de falar de apartheid, segregação racial e racismo, a peça trata da negociação das diferenças. “Como os seres diferentes se encontram e se complementam”, diz Lúcia Romano.
“Mostra, ainda, duas mulheres vivendo fases diferentes da vida – Helen sente que está chegando a algum lugar, que seu tempo está acabando; enquanto Elza está no meio do caminho e querendo desistir”, comenta Cacá Amaral.
FONTE:http://www.ocaminhoparameca.com.br/espetaculo.html