2 de novembro de 2009

Quando Tudo Cresceu



"Quando Tudo Cresceu" busca construir relações de como a criança se percebe dentro do fenômeno do crescimento, seu diálogo e modos de operar com a lógica do mundo adulto, suas possibilidades e restrições, o exercício diário de encontrar caminhos de articulação com esse lugar muitas vezes desconhecido, porém cheio de surpresas.
Elaborado a partir da busca da corporalidade existente nos jogos e brincadeiras infantis, é uma construção artística que provoca o corpo a abandonar seu estado de “espectador passivo” para tornar-se co-criador em tempo real.

Criação: Clayton Leme, compartilhada com Bruna Spoladore, Silvia Nogueira, Sylviane Guilherme e Raphael Fernandes.
Figurinos: Felipe Cruz
Adereços: Paulo Vinicius
Iluminação: Érica Mityko
Ambiente Sonoro: Coletivo Brincante
Arte Gráfica: Wolney Fernandes
Fotografia: Leandro Taques
Produção de Vídeo: Coletivo Brincante
Produção: Diversa – Ambiente de Produção e Leonardo Taques

1 de novembro de 2009

onde estarão meus filhos?


onde estarão meus filhos ?

Meus filhos ...
Onde estarão meus filhos ?

Faz tempo que não os vejo.
E eles ... será que não me vêm ?
Eu estou aqui ... e eles estão aqui ...
Mas estou fora dos seus corações.

No amarelado jornal,
olho o dia dos seus nascimentos.
Eu bem me lembro ...
Foram dias luminosos ... esperançosos ...

As fotografias, o que me mostram ?

Três pequenos inocentes ...
Seus primeiros passos ...
Ouço as primeiras palavras.
Lembro das travessuras, das ternuras,
dos brinquedos e dos folguedos ...

E hoje, ainda seriam meus filhos ?
Reaver meus filhos ?
Não creio haver esperança ...
Não sou mais pai deles.

Meus filhos ...
Onde estarão meus filhos ?

Osiris Duarte de Curityba

Publicado no Recanto das Letras em 28/11/2008
Código do texto: T1307934

31 de outubro de 2009

A quinta alegria - Manoel de Barros...poemas.




No Tratado das Grandezas do Ínfimo estava
escrito:
Poesia é quando a tarde está competente para
Dálias.
É quando
Ao lado de um pardal o dia dorme antes.
Quando o homem faz sua primeira lagartixa
É quando um trevo assume a noite
E um sapo engole as auroras

Quarta Alegria - O Caminho para Meca


"O Caminho para Meca" foi escrito em 1985, por ATHOL FUGARD, dramaturgo sul-africano, nascido em 1932. Considerado um dos dramaturgos mais importantes da língua inglesa na atualidade e inédito no Brasil, a peça conta a história de Helen Martins, uma sul africana que encontra sua forma de expressão por meio da escultura.
A personagem é inspirada em uma figura real, Helen Elizabeth Martins, autêntica outsider que produziu uma arte não convencional, nascida em 1897 e morta em 1976.

O texto traduzido por José Almino tem a direção de Yara de Novaes e no elenco Cleyde Yáconis, Lúcia Romano e Cacá Amaral. A iluminação é de Telma Fernandes e o cenário de André Cortez.

A história de Helen, mote de inspiração do autor, já é por si só apaixonante. Nascida e criada em uma pequena comunidade branca, Nieu Bethesda-África do Sul, no meio do deserto, Helen é uma mulher de costumes conservadores e culto obrigatório da fé protestante. Um dia, ao descobrir nunca ter amado o bom homem com quem foi casada, abandona a igreja dos domingos porque deixou de crer e, ao ficar viúva, encontra em suas mãos de escultora o caminho de sua liberdade pessoal e a felicidade de criar sua "Meca".

De acordo com a diretora Yara de Novaes, "Helen é a personagem ideal para que Fugard possa mostrar a resistência da sociedade perante o diferente, a eterna busca da confiança em si mesmo e nos demais, os erros dos dogmatismos religiosos e, sobretudo, tratando-se de um autor sul africano escrevendo em 1984, denunciar o apartheid como forma de convivência".

Helen recebe a visita da amiga Elsa (Lucia Romano, Prêmio Shell 2007 de melhor atriz por sua atuação em Vemvai - O Caminho dos Mortos), admiradora de suas obras, e também do pastor local (Cacá Amaral), que se preocupa com sua ausência na igreja e na pequena vila. Por meio desses encontros, discute-se a vida, a solidão, o talento, as dificuldades da idade, a amizade e a confiança das personagens.

Na opinião da diretora, "a peça é quase um rito de passagem realizado por todos os personagens, tanto o pastor (Cacá Amaral), protestante representante dessa comunidade, quanto Elza (Lúcia Romano), a estrangeira de fato naquela circunstância geográfica e histórica”.

Além de falar de apartheid, segregação racial e racismo, a peça trata da negociação das diferenças. “Como os seres diferentes se encontram e se complementam”, diz Lúcia Romano.

“Mostra, ainda, duas mulheres vivendo fases diferentes da vida – Helen sente que está chegando a algum lugar, que seu tempo está acabando; enquanto Elza está no meio do caminho e querendo desistir”, comenta Cacá Amaral.
FONTE:http://www.ocaminhoparameca.com.br/espetaculo.html

Terceira alegria: Ariano Suassuna - Vozes de Mestres


Martinho dos Santos e Leonildo Pereira os mestres do Fandango Paranaense, e o escritor e dramaturgo Ariano Suassuna, mediados pela mineira Déa Trancoso, formaram a mesa-redonda que discutiu no Teatro Guaíra, grande auditório: "Brasil: quem somos nós e como chegamos a ser o que somos".

Vozes de Mestres, projeto criado e desenvolvido inicialmente no estado de Minas Gerais, ganhou o Brasil neste ano de 2009, graças ao apoio do Banco do Brasil.
O Vozes de Mestres – Festival Internacional de Cultura Popular, idealizado pela Jardim Produções, (leia-se Geovana Jardim a grande idealizadora), tem caráter itinerante e amplia o intercâmbio entre artistas, trabalhadores da teia produtiva das artes em geral e mestres das culturas populares do Brasil e da América Latina, potencializando um dos aspectos mais significativos da cultura brasileira e latino-americana: a diversidade.

Cria raro lugar para a voz dos mestres de ontem, hoje e amanhã, promovendo encontros e conexões não menos raras. Quanto mais vivemos, mais descobrimos que tudo nessa vida é herança. Diz a canção de Gonzaguinha: “Toda pessoa sempre é marca das lições diárias de outras tantas pessoas”.

Hoje andarilho sedento, amanhã fonte que saciará a sede de muitos. Assim foi. Assim tem sido. Assim é a humanidade “desde que o mundo é mundo”, como dizem os antigos. Os saberes vão passeando de mão em mão, de gente em gente, de geração em geração.

Criar um espaço para ver o Brasil passar fervorosamente, sem parar, é o que nos levou a “inventar” essa oportunidade de ternura e troca tão necessárias para curar a infeliz aspereza dos dias atuais.
FONTE:http://www.vozesdemestres.com/page/quem-somos-nos

Aplausos a essa brilhante iniciativa.

Segunda alegria: Toda Nudez será Castigada


O conhecido Circuito Cultural Banco do Brasil que neste ano veio com o nome de Programação Itinerante, trouxe "Toda Nudez será Castigada" de Nelson Rodrigues, com o Armazém Cia. de Teatro, dirigido por Paulo de Moraes.
Falando sobre a tênue ligação entre o puritanismo (sagrado) e a sexualidade exacerbada (profano), a belíssima adaptação - em especial cenário e iluminação - utiliza um humor contundente e senso trágico.

O sagrado e o profano são visíveis no cenário por meio de transparências, que sugerem vitrais coloridos como os de uma igreja ou de um bordel. A cenografia é perfeitamente adequada, não-realista e sugere as gavetas da memória de Herculano e suas portas giratórias que compõem uma caixa inteiriça de acrílico e ferro.

Por tudo isso, o espetáculo foi o grande vencedor do Prêmio Shell de Teatro (Rio) 2005, ganhando os troféus de Melhor Direção (Paulo de Moraes) e Melhor Iluminação (Maneco Quinderé), além de ser indicado nas categorias de Melhor Atriz (Patrícia Selonk) e Melhor Cenário (Paulo de Moraes e Carla Berri). A peça já foi apresentada no Rio de Jnaeiro, Brasília, Belo Horizonte, Londrina, Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo e agora Curitiba.

Imperdível.

Peça: Toda Nudez Será Castigada
Com o Armazém Companhia de Teatro - www.armazemciadeteatro.com.br
Autor: Nelson Rodrigues
Direção: Paulo de Moraes
Elenco:
Patrícia Selonk (Geni)
Thales Coutinho (Herculano)
Fabiano Medeiros (Patrício)
Sérgio Medeiros (Serginho)
Simone Mazzer (tia 1)
Verônica Rocha (tia 2)
Isabel Pacheco (tia 3)
Simone Vianna (coro)
Raquel Karro (coro)
Ricardo Martins (coro)
Marcelo Guerra (coro).
Iluminação: Maneco Quinderé
Figurinos: Rita Murtinho
Cenografia: Paulo de Moraes e Carla Berri
Música original: Arrigo Barnabé
Letra da canção-tema: Roberto Riberti
Trilha sonora pesquisada: Paulo de Moraes